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Perfil do Associado
Juiz aposentado João Alfredo Medeiros
“Um doutor de várias áreas”

Por trás de um muro alto, no bairro Jardim Atlântico, está uma das poucas residências que resistiu ao impacto do desenvolvimento na região. Lá, o juiz João Alfredo Medeiros Vieira passa boa parte do seu tempo na biblioteca. É um homem culto dedicado ao ensino, às letras e a magistratura. Isso fica claro, na sua voz forte e retórica invejável, que traduz com clareza suas ideias.

Com uma memória firme, traz detalhes dos anos que se dedicou ao Poder Judiciário em diversas regiões do Estado. Ingressou na magistratura já maduro, pois quando passou no concurso, em 1972, já era professor secundário. Ele, inclusive, lecionou dentro de instituições militares, como a Escola de Aprendizes de Marinheiro. Tem uma obra dedicada às memórias deste período, já que, como civil, atuou até mesmo nos tempos da ditadura.

Quando recebeu a nomeação de juiz substituto, foi trabalhar em Joaçaba, no Meio Oeste de Santa Catarina, onde permaneceu até 1977. Em seguida, foi para Tijucas, cidade onde passou boa parte da sua infância e de onde traz boas histórias. Uma delas, foi quando sobreviveu a um atentado. Na região do Vale, julgava muitos casos de tráfico de drogas e sofreu algumas ameaças. Com muita precisão, recorda da sexta-feira em que ele pegou o carro para ir à Florianópolis. No caminho, sentiu a direção “trepidando” muito e parou o carro, para ir devagar até um mecânico. Ao chegar, descobriu que os parafusos da roda estavam frouxos e, por mais um pouco, teria sofrido um sério acidente.

Depois, em 1978, mesmo ano em que perdeu seu pai, ele concorreu, por merecimento, para ocupar uma vaga no município de Imaruí, no Sul do Estado. Em seguida, foi para Ibirama, por lá ficando de 1979 até 1980. Sua última comarca foi Videira, onde trabalhou até 1982.  Em todas as regiões por onde passou, Medeiros deixou como marca sua idoneidade e competência.

Como professor secundário, lecionou Português durante vinte anos. Na universidade, foi docente nas áreas de Filosofia, Psicologia e Direito. Atuou na Faculdade de Filosofia da Sociedade Itajaiense de Ensino Superior (atual Univali), na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Ficou viúvo em 1989 e, depois de alguns anos, decidiu-se casar. Lembra que a decisão foi tomada durante uma noite, quando conheceu a história de um autor americano que colocou um anúncio no jornal da cidade para encontrar uma nova esposa. Ele, da mesma forma, publicou no jornal Diário Catarinense suas intenções. Recebeu diversas correspondências e dentre elas, a da senhora Vanilda Tenfen Medeiros Vieira, com quem se casou há 11 anos.

É pai de um casal, que também se decidiu pela Justiça. O filho é procurador do Ministério Público de Santa Catarina e a filha promotora da Vara da Infância e Juventude.  A família continua crescendo, ainda mais, com a chegada dos cinco netos e dois bisnetos.

Em 1991 fundou a Livraria e Editora Xavier (LEDIX), uma editora hoje conhecida nacionalmente, especializada em publicações de Direito, Filosofia e Ortografia. Conta, ainda, com catálogo de livros de literatura regional e nacional. O escritório fica nos fundos da sua residência, na região continental, e é administrado pelo genro da sua primeira esposa.

Faz questão, durante o bate papo, de destacar um dos seus escritos mais difundidos. “A prece de um juiz”, que foi publicado inicialmente pela Prefeitura de Joaçaba, já foi traduzido para 41 idiomas e estima-se que já tenha ultrapassado um milhão de publicações. O texto ressalta os dilemas do juiz-homem, perante ao Grande Juiz.

Dos colegas, ele lembra com saudade. Hamilton Alves, José Trindade dos Santos e vários outros que, como ele, já estão aposentados. Entre as recordações que traz, estão as correspondências que trocou em vários idiomas com escritores, filósofos e juristas da América e da Europa. Católico dedicado, tem, entre os mais próximos, diversos sacerdotes.

Depois de se aposentar como magistrado, Medeiros resolveu advogar, o que atualmente, já não mais o faz por diversas razões, entre elas, a saúde. Hoje, passa boa parte do seu tempo no sítio, em Biguaçu, onde gosta de pensar na vida e orar. Às vezes, até pescar.

Recentemente, completou 84 anos. O peso da caminhada o leva a fazer acompanhamento médico frequente, para tratar algumas enfermidades, sempre apoiado pela família.

Mas, o doutor João não pretende parar. No momento, finaliza a obra “Treze”, abordando as coincidências e abrangência do número. Ele, que ocupa a cadeira número quatro da Academia Catarinense de Letras (ACL), já publicou 38 obras.