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Perfil do Associado
Desembargador Carlos Adilson Silva
A vocação para a arte de julgar

Foi por vocação que há 25 anos Carlos Adilson Silva, hoje Desembargador, seguiu o firme propósito de dedicar a sua vida à arte de julgar. Mesmo antes de tomar posse como magistrado, em maio de 1989, ele já havia trilhado um pequeno percurso no Poder Judiciário quando, em 1983, foi aprovado em concurso público para o cargo de técnico judiciário auxiliar na Comarca de Piçarras. “Caminhei todos os degraus do Judiciário, primeiramente como funcionário, depois como magistrado, e me sinto extremamente realizado”, analisa.

E foi trilhando esse caminho que o Desembargador descobriu sua aptidão para a magistratura, que já era percebida pelos colegas quando cursava a faculdade de Direito na antiga Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Vale do Itajaí (FEPEVI), hoje Univali. “Não tive dificuldades (para julgar) justamente porque já trabalhava no Judiciário. Quando estudava para o concurso público, já auxiliava o magistrado lavrando sentenças e despachos. Quando ingressei como juiz de Direito eu já tinha a prática”, ressalta. 

Percurso natural da carreira, Silva iniciou no interior do Estado como Juiz substituto na Comarca de Mafra, onde permaneceu por quase três anos. De lá assumiu como Juiz titular em São José do Cedro e passou por São Lourenço do Oeste, São Miguel do Oeste e Joinville até ser transferido para a Capital, onde assumiu, em 2009, como Juiz de Direito de Segundo Grau e, este ano, foi promovido para o cargo de Desembargador. Sua carreira sempre foi direcionada para a área do Direito Público, atuando como juiz da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Joinville durante 10 anos. “Direito constitucional, administrativo e previdenciário são matérias que eu gosto”, conta. 

Após tantos anos de carreira, o balanço que Silva faz de seu papel como magistrado é positivo e sem arrependimentos. “Amo a minha carreira e acho que temos uma missão extremamente relevante. Decidimos sobre os maiores bens do ser humano: seja a vida, quando determinamos que um plano de saúde autorize uma intervenção cirúrgica de urgência ou o fornecimento de medicamentos; a liberdade e a propriedade. É uma missão que me faz muito feliz e realizado”, analisa. 

Fazendo um balanço do papel do magistrado, Silva aponta a carência de material humano – desde servidores a juízes – como a grande dificuldade enfrentada pelo Judiciário. “A partir da constituição federal de 1988, a constituição cidadã, tivemos um aumento expressivo de demandas. Foi bom por um lado porque ampliou e facilitou o acesso do cidadão ao Poder Judiciário, mas não estávamos, e ainda não estamos, preparados em razão do número de demandas, que aumentou significativamente”, explanou. 

Segundo ele, é necessária uma maior valorização do magistrado de primeiro grau para tornar a Justiça mais célere. “Na Justiça de primeiro grau é onde está os maiores problemas, o maior número de processos e demandas. É preciso ampliar a estrutura de gabinete do magistrado de primeiro grau, criar mais uma assessoria para dar suporte e ampliar o número de varas. Falo isso baseado em dados estatísticos. A valorização da carreira do magistrado é fundamental”, pontuou. 

Quanto à necessidade de uma reforma do sistema recursal brasileiro, o desembargador acredita que é preciso inverter o sistema em relação aos efeitos do recurso. “Hoje a regra geral é efeito devolutivo e suspensivo. Devolve-se a matéria para o conhecimento do Tribunal e suspende-se a decisão do juiz do primeiro grau. Modificando essa sistemática, tomando como regral geral o efeito apenas devolutivo, teremos uma valorização da sentença do magistrado de primeiro grau”, explica. 

E é justamente pela grande demanda de processos que Silva defende a conciliação e os acordos extrajudiciais como um caminho importante para contribuir com a celeridade da Justiça e alcançar soluções eficazes para os conflitos. “Essa cultura da mediação deve começar já na faculdade. Porque até então os cursos de Direito ensinam o futuro advogado a litigar. A melhor forma de resolver os conflitos de interesse, para retomar a paz social violada pelo litígio, é exatamente a conciliação e precisamos trabalhar para isso”, diz. 

Segundo o desembargador, a cultura do litígio é comum no Brasil, diferente de países desenvolvidos onde a prática da conciliação é forte. “Infelizmente aqui ainda impera a cultura do litígio. Talvez pela morosidade na resolução dos conflitos, se prefere esperar. Às vezes até um simples acidente de trânsito vira um processo judicial”, salienta. 

Natural de Campos Novos, além da toga, o magistrado elenca duas grandes paixões: o futebol e a pesca. Torcedor do Joinville Esporte Clube, time que ganhou sua simpatia durante os 14 anos em que morou na cidade, Silva também pratica o esporte com alguns amigos, uma vez por semana, em uma quadra society. Já a pesca é prática garantida todos os anos, quando tira um tempo para dedicar-se ao hobby. “Gosto muito do mar. Tenho um grupo de amigos de Joinville, que se reúne duas vezes durante o ano para pescar. Uma vez na Argentina e outra no Mato Grosso”, conta.