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Perfil do Associado
Desembargador aposentado Sérgio Paladino
Uma vida dedicada à Justiça

Foi após uma carreira de 25 anos no Ministério Público (MP) que o então Procurador de Justiça Sérgio Paladino ingressou na magistratura, em 1997, por meio do Quinto Constitucional. Permaneceu na função por 17 anos e só deixou a carreira no Poder Judiciário devido à aposentadoria compulsória. “Confesso que não teria deixado se não fosse por força da idade, que não permite que após os 70 anos o magistrado continue na profissão”, admite Paladino, que recorda com carinho os mais de 40 anos de carreira. “Foram duas experiências maravilhosas, tanto no MP como na magistratura. Eu sempre digo que promotor e juiz correm por duas vias paralelas, buscando chegar ao mesmo objetivo, que é fazer justiça”, conta.

Aliás, o Direito não foi a primeira opção na carreira do então jovem manezinho, caçula de quatro filhos. Mas, por influência do irmão mais velho, que tinha uma carreira consolidada na advocacia, em Porto Alegre (RS), resolveu prestar vestibular para Direito na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde se formou em 1968. “Confesso que eu fiz o científico, e nos primeiros anos a minha vontade era fazer Medicina. Cheguei a pensar também em ser militar, pois outro irmão meu era militar, mas acabei optando pelo Direito quando, na época, meu irmão me levou para conhecer o Fórum, assistir audiências, júris, inclusive, assisti uma defesa dele no Tribunal, e aquilo me empolgou. Fiz Direito para ser advogado, para trabalhar com ele em Porto Alegre. Mas a gente nunca sabe os desígnios de Deus”, explica o magistrado, que diz não ter se arrependido, muito pelo contrário. “Acho que se eu não tivesse feito Direito eu teria me frustrado”.

Após a formatura, trabalhou como consultor jurídico no Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (IPESC), hoje IPREV. Mas com o nascimento do primeiro filho e o peso das dificuldades financeiras, decidiu prestar concurso para o Ministério Público, onde ingressou em 1972. Começou a carreira na circunscrição de Lages, atuando em Anita Garibaldi, logo em seguida foi para Guaramirim, no Norte do Estado, depois Palmitos, no Oeste, São Bento do Sul, no Planalto Norte, e, finalmente, retornou a Florianópolis como Promotor de Justiça convocado, até ser promovido ao cargo de Procurador de Justiça, onde permaneceu até 1997. “Gostei muito de morar nas cidades do interior do Estado. Achei que teria um pouco de dificuldade, pelas raízes, pelo lado emocional, mas gostei muito do interior. Não tem uma comarca que eu tenha passado que eu não tenha gostado. No interior se tem uma vida mais tranquila, tudo é mais fácil”, lembra.

Após 17 anos na magistratura, Paladino aprimorou o olhar e a compreensão sobre o Poder Judiciário. E é sob essa ótica que ele faz um balanço do Tribunal de Justiça catarinense. “Hoje o Judiciário está mais encorpado. Em 1997, nós éramos em 12 desembargadores, hoje, por necessidade, as demandas são maiores, nós temos 62. E acho que já está precisando de mais. Embora o Tribunal tenha dividido as câmaras por especialização, mesmo assim a demanda é muito grande. O numero de processos, atualmente, é muito maior, chega até ser cruel”, diz o desembargador aposentado, que optou pela área criminal, onde ficou por aproximadamente 12 anos.

Ele destaca ainda o esforço do Poder Judiciário na mediação e a conciliação. “A conciliação é um processo que veio para ficar. Muitas as causas que, antes de se tornarem processos, podem ser resolvidas pela conciliação. Hoje é uma solução que veio para ficar”, acredita. Ele reitera ainda a necessidade de uma reforma no atual modelo de sistema recursal brasileiro. “Claro que tem que ter o recurso, afinal o juiz é humano, é falível, e existem as estâncias superiores justamente para isso. Não tenho duvida de que é preciso ter a possibilidade de recurso. Mas há muitos recursos protelatórios, quando só deviam existir quando houvesse realmente uma dúvida sobre o resultado do julgamento de 1º grau. Hoje se recorre também para atrasar o processo. E o processo quando custa a ser julgado efetivamente acaba não fazendo justiça”, pontua.

Há nove meses aposentado, Paladino conta que tem se dedicado a antigos hobbies, como a leitura. “Eu gosto muito de romance, gosto muito dos livros do Sidney Sheldon, da Agatha Christie. Mas também gosto de livros que abordem temas ligados ao meio jurídico. Assim consigo me manter atualizado mesmo longe do Judiciário”, fala.

Outra paixão, conta ele, é o futebol. Torcedor fervoroso do Figueirense, como ele mesmo define, acompanha todos os jogos do time, que, por vezes, tiram-lhe até o sono. “A minha mulher até me cobra isso, porque quando os jogos são à noite, quando o Figueirense perde, eu vou dormir tarde e acabo tendo pesadelos. Quando ganha, eu custo a dormir porque fico escutando os comentários até quando o último comentarista se despede, depois de duas horas. É um lazer, uma diversão para mim, e ajuda a passar o meu tempo também”, diz.

Pai de quatro filhos – três deles promotores de Justiça -, Sérgio Paladino dedica-se também à função de avô de oito netos, mas sem excessos. “Minha função agora é de avô, de mimar mesmo. O restante é função dos pais e deixo isso com eles”, explica.