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Perfil do Associado
Juiz aposentado Hamilton Plínio Alves
A trajetória de Hamilton Plínio Alves na magistratura catarinense

A trajetória de Hamilton Plínio Alves na magistratura catarinense

 

Por sua esposa Erna Maria Rosa Alves

 

"Transcorria o ano de 1972 e Hamilton, já formado em Direito há dois anos, estudava com afinco, preparando-se para o concurso de Juiz de Direito. Tentou duas vezes e, na terceira, foi aprovado juntamente com mais três candidatos: José B. Trindade, José Guilherme e João Alfredo Medeiros Vieira.

Ele vinha de uma família de classe média: o avô paterno possuía um sortido armazém na chamada Avenida Tico-Tico (apelido do avô). Alguns dos seus filhos adquiriram tuberculose, doença que dizimou muitas pessoas na época. O pai do Hamilton, vitimado por essa doença, morreu aos 29 anos, deixando a esposa e três filhos pequenos.

Apenas um mês depois, novamente a morte levou mais duas crianças, sobrando somente o Hamilton e sua mãe. Desde então, essa mãe lutou muito para criá-lo. Depois de tentar a vida em outras cidades, acabou voltando para a capital e casando-se novamente. Com o companheiro que também a ajudou muito, ele alfaiate e ela calceira, conseguiram levar uma vida tranquila, Graças a ela, Hamilton conseguiu estudar no Colégio Catarinense, onde adquiriu a base para sua vida. Sua mãe teve a ventura de o ver casado, Juiz de Direito e ter os filhos que perdeu de volta, agora em forma de netos. Acabara, assim, um ciclo de tristezas.

O juiz Hamilton

Tomou posse como juiz em 28 de novembro de 1972, assinada pelo então Governador do Estado Colombo Machado Sales.

Sua primeira comarca como juiz substituto foi Tubarão, onde ficou quatro anos. Juiz de primeira viagem, foi removido para São Miguel do Oeste, em janeiro de 1973. Nesta época, aconteceu a inauguração da comarca de Itapiranga, bem no extremo oeste, dividindo pelo rio o nosso Estado com o do Rio Grande do Sul. A cidadezinha de Itapiranga era minúscula, mas muito bonita, com árvores floridas na rua principal. O fórum ficava bem pertinho do rio.

No mês seguinte, retornamos a Tubarão, onde Hamilton fez seu primeiro júri. Dos promotores da época, lembro-me apendas do Dr. Nelson Mendes.

Em 1974, ainda estávamos em Tubarão quando fomos surpreendidos pela maior enchente que já vi, talvez a maior que aquele município já tenha enfrentado. Muita tristeza, muitas perdas, inclusive humanas. Nós tivemos muita sorte, porque a água não chegou onde morávamos. A cidade, literalmente, parou. Quando pudemos sair da cidade, nossos filhos vieram estudar dois meses na capital até que a cidade voltasse à normalidade. Hamilton ficou lá, não abandonou o posto.

Depois de quatro anos em Tubarão, ele foi promovido à sua primeira comarca, Pinhalzinho, da qual foi titular durante três anos. Era uma cidadezinha nova, bem traçada, já tinha calçamento nas ruas principais e um povo ordeiro e acolhedor. Muitas recordações ele tem dessa primeira comarca. Trabalhou no fórum com o promotor Dr. Paulo Linhares e eram advogados os doutores: Ozir Londero, Alfredo Zimmermann e lembro também do bom escrivão, sr. Zita.

Na nossa rua travou amizade com um senhor alemão, sr. Schaff, com quem mantinha longos papos. Às vezes dona Valéria, sua esposa, nos convidava para uma galinhada.

Depois veio a remoção para São João Batista, que era pertinho da Capital. Em seguida, foi promovido para Indaial e, depois, Jaraguá do Sul. Lá, como sempre, trabalhou muito e era bem quisto por todos. Nos fins de tarde, quando voltava para casa, vinha sempre com um serventuário que o ajudava a carregar os processos, para trabalhar à noite em casa, como sempre foi seu hábito. Quando necessário, fazia esse mesmo ritual aos finais de semana. No outro dia era o inverso, vindo o serventuário para ajudá-lo a levar de volta os processos. Vi essa cena muitas vezes ao longo da sua carreira.

O novo fórum de Jaraguá do Sul foi inaugurado quando ele era diretor. Organizou a recepção com muito carinho. Recebeu várias autoridades, como o governador Henrique Córdova, o presidente do Tribunal, Dr. Ivo Sell, o prefeito Victor Bauer e vários desembargadores. Ele foi muito reconhecido pela comunidade, pelo seu trabalho e ainda, recentemente, recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores de Jaraguá.

Foi transferido então para Balneário Camboriú, onde também encontrou muito serviço. As mesas e sofás de sua sala de trabalho eram ocupados por pilhas de processos. Mas isso não o intimidava. Arregaçava as mangas e reduzia as pilhas em pouco tempo. Não à toa, recebeu dois apelidos: “Limpa Trilho” e “Furacão Branco”.

Hamilton, no decorrer de nossa convivência, me surpreendeu muito por sua capacidade de trabalhar. Não tinha medo de nada, principalmente de trabalho pesado. Em várias ocasiões ainda achava tempo para colaborar com artigos para a Revista Forense e também com a  AMC – Literária, onde ele e vários juízes colaboravam com literatura, outra de suas paixões.

Em 1985 veio a promoção para a quarta entrância: Curitibanos. Logo depois, aposentou-se, com muito pesar. Com a mãe doente e sem condições de viver sozinha, fez questão de estar junto dela e também dos seus filhos, já adolescentes. Foi então que deu vazão a sua veia literária e escreveu quinze livros, até 2010. Atualmente ele passa por um quadro de depressão grave, mas, com apoio de toda família, esperamos que tudo possa terminar bem."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juiz aposentado Hamilton Plínio Alves (E) ao lado do Presidente do TJ/SC, em Tubarão, durante um seminário sobre Processo Civil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Inauguração do Fórum de Jaraguá do Sul (SC)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juiz de Direito na comarca de Tubarão (SC)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Solenidade na cidade de Indaial, no Vale do Itajaí

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juiz aposentado Hamilton Plínio Alves com a família