A AMC manifesta seu mais veemente repúdio à charge publicada pelo jornal Folha de S.Paulo na edição deste sábado, 9 de maio de 2026.
Utilizar a imagem de uma lápide para atacar a magistratura, poucos dias após a trágica morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de apenas 34 anos, ultrapassa todos os limites do respeito e da decência. Não se trata de crítica. Trata-se de violência simbólica.
A juíza Mariana morreu em decorrência de um procedimento médico ligado ao sonho legítimo de ser mãe. Sua história é a história de milhares de mulheres que lutam diariamente para conciliar carreira, dignidade e maternidade num país ainda marcado por estruturas desiguais. Transformar essa dor em ironia pública, às vésperas do Dia das Mães, é um ato de profunda insensibilidade que agride não apenas uma família enlutada, mas toda a magistratura brasileira.
A liberdade de imprensa é pilar da democracia e merece respeito absoluto. Mas nenhuma liberdade dispensa o dever elementar de humanidade. Quando o jornalismo abandona a empatia mínima e recorre à banalização da morte para fazer crítica institucional, deixa de informar e passa a ofender.
A AMC se solidariza com a família da magistrada e com todas as mulheres e homens que dedicam suas vidas à Justiça. Não aceitaremos que a dor de quem serve ao Estado seja convertida em piada. Não aceitaremos que a morte seja usada como munição retórica.
Exigimos respeito à memória da juíza Mariana Francisco Ferreira. Exigimos respeito à magistratura. Exigimos respeito à dignidade humana.
Florianópolis, 9 de maio de 2026.
Janiara Maldaner Corbetta
Juíza presidente da AMC
