Quem decide representar
Assumir uma função associativa é escolher dedicar parte da própria trajetória à construção coletiva
Por trás de cada gestão da AMC estão Magistrados que, em algum momento da carreira, decidiram assumir uma responsabilidade diferente daquela exercida diariamente nas unidades judiciais.
Para José Agenor de Aragão, presidente da AMC entre 2006 e 2009, essa decisão surgiu a partir de um convite dos próprios colegas. Até então, ele não havia exercitado diretamente a atuação associativa.
“Um grupo de colegas me procurou e me convidou porque acreditaram que eu tinha condição de fazer um trabalho de harmonização e pacificação na Associação em um momento de disputas”, relembra.
O convite exigiu reflexão. A resposta veio quando Aragão percebeu que poderia colocar sua experiência a serviço de um propósito coletivo.
“Eu pensei muito e cheguei à conclusão de que tinha possibilidade de fazer um trabalho em prol da Magistratura catarinense.”
A experiência também mudou sua relação com a própria carreira. Na presidência, Aragão passou a conhecer mais de perto os Magistrados, suas realidades e os problemas enfrentados em diferentes regiões do Estado.
“Era um momento de divergências dentro da Associação. Eu pensei muito e, no final, acabei aceitando, porque cheguei à conclusão de que tinha possibilidade de fazer um trabalho em prol da Magistratura catarinense.”
Uma responsabilidade compartilhada
Presidir a AMC, no entanto, nunca foi um trabalho individual.
Aragão destaca que a atuação do presidente depende diretamente da participação da diretoria e da capacidade de construir decisões coletivas. Durante sua gestão, buscou manter uma equipe ativa e uma relação pautada pela harmonia e pelo consenso.
Essa dimensão coletiva também marcou a experiência de Odson Cardoso Filho, presidente da AMC entre 2015 e 2018.
“O principal aprendizado da época em que tive a honra de presidir a Associação está justamente na atuação coletiva, na união e na importância de manter uma meta traçada e com todos engajados na obtenção do êxito final do projeto.”
Odson lembra que a AMC representa Juízes em atividade, aposentados e pensionistas, com demandas e expectativas que nem sempre são as mesmas. Conciliar essas diferentes perspectivas faz parte do papel de quem assume a responsabilidade de representar o conjunto.
Essa proximidade, para Odson, começa muito antes da presidência. Sua trajetória associativa passou pela atuação como coordenador regional e como membro da diretoria em diferentes ocasioes e pelo contato direto com colegas, experiências que ampliaram sua compreensão sobre as necessidades da Magistratura.
Uma função que também se aprende
A responsabilidade associativa traz desafios que vão além da representação institucional.
Ao assumir funções de direção, o Magistrado passa a lidar também com equipes, patrimônio, projetos, recursos e decisões administrativas. Sérgio Luiz Junkes, presidente da AMC entre 2012 e 2015, lembra que essa é uma realidade diferente daquela para a qual a carreira prepara diretamente.
“A Associação tem uma grande estrutura, um patrimônio importante, inúmeros funcionários. É uma entidade que tem história. Há a necessidade de uma gestão qualificada.”
Para ele, parte desse conhecimento é desenvolvida durante a própria experiência associativa.
“É uma função que nós não estamos acostumados. Exige esse tipo de trabalho e, às vezes, a gente acaba tendo que aprender.”
Representar, portanto, também significa aprender a ouvir, administrar, dialogar, formar equipes e construir soluções para interesses que ultrapassam a experiência individual.
Quando uma geração inspira a outra
A participação associativa também se alimenta do exemplo daqueles que vieram antes.
César Augusto Abreu, presidente da AMC entre 1995 e 1997, lembra que encontrou uma Associação em processo de crescimento e consolidação. O trabalho realizado pelas administrações anteriores contribuiu para que ele próprio decidisse participar.
“As gestões passadas marcaram época e talvez seja isso que me incentivou, inclusive, a ingressar na vida associativa.”
Nem todo Magistrado precisa ocupar a presidência ou integrar uma diretoria para participar dessa construção. A atuação associativa também se fortalece quando os colegas acompanham as pautas da carreira, apresentam demandas, compartilham conhecimento, propõem caminhos e se aproximam da Associação.











