O que recebemos. O que vamos deixar
Cada geração recebe um legado. E também a responsabilidade de continuar.
Quem ingressa hoje na Magistratura catarinense recebe muito mais do que uma carreira estruturada. Encontra uma Associação consolidada, espaços de representação, serviços, estruturas de apoio e canais de diálogo construídos ao longo de diferentes gerações.
Ricardo José Roesler, presidente da AMC entre 2003 e 2006, chama atenção para a dimensão histórica desse legado.
“O que temos hoje é fruto de mais de 60 anos de trabalho, de construção, do tijolinho que cada um colocou.”
Parte desse legado está nas grandes conquistas institucionais. Outra parte aparece no cotidiano, inclusive nos momentos em que um Magistrado ou sua família precisam de apoio.
Odson Cardoso Filho, presidente da AMC entre 2015 e 2018, lembra que a atuação da Associação acompanha diferentes momentos da vida e da carreira, alcançando Magistrados em atividade, aposentados e pensionistas.
“Quando o colega precisa, no momento difícil, ele conta com a Associação também como suporte.”
Uma história que não está pronta
Roesler define as associações como “corpos vivos”, em permanente transformação. Os desafios mudam, novas pautas surgem e as formas de representação também precisam evoluir.
Por isso, preservar aquilo que foi construído não significa apenas manter o que existe. Significa compreender as necessidades do presente e continuar fortalecendo a capacidade coletiva da Magistratura de se fazer representar.
César Augusto Abreu, presidente da AMC entre 1995 e 1997, coloca essa responsabilidade diretamente nas mãos dos próprios associados:
“O futuro do associativismo depende de cada um de nós, da participação efetiva e do engajamento de cada um. Que deixemos a nossa individualidade e passemos a pensar sempre no coletivo.”
Participar não significa necessariamente integrar uma diretoria. Pode começar pelo acompanhamento das pautas da carreira, pela aproximação com a Associação, pela apresentação de ideias e demandas e pela disposição para contribuir com aquilo que é comum.
“Seja nos momentos de bonança, seja nos momentos de dificuldade, é o associativismo que nos faz trabalhar com tranquilidade, sabendo que muitos estão trabalhando por nós e que muitos outros já trabalharam”, lembra Jussara Wandscheer, presidente da AMC entre 2018 e 2021.
O que vamos deixar
Cada geração de Magistrados encontrou uma AMC diferente daquela recebida pela geração anterior.
Algumas construíram direitos. Outras fortaleceram estruturas. Houve momentos de grandes avanços e períodos em que o trabalho esteve concentrado em preservar garantias, evitar retrocessos, abrir espaços de diálogo ou preparar caminhos para o futuro.
O que os próximos Magistrados encontrarão também será resultado das escolhas feitas agora.
Da capacidade de permanecer unidos. De participar. De compreender que o trabalho coletivo nem sempre produz resultados imediatos. E de reconhecer que aquilo que uma geração recebe não lhe pertence apenas como conquista – também lhe é confiado como responsabilidade.
É nesse ponto que a história contada pelos ex-presidentes encontra o presente.
Janiara Maldaner Corbetta, presidente da AMC na gestão 2024-2027, representa a geração que hoje recebe essa construção e assume a responsabilidade de fazê-la avançar.
“Nós recebemos muito daqueles que vieram antes de nós. Direitos, estruturas, espaços de representação e, principalmente, uma Associação forte e respeitada."
Agora, cabe à nossa geração cuidar desse legado e continuar avançando. E com a certeza de que o trabalho que fazemos hoje ainda trará muitos efeitos no futuro.”







