Congresso Sul-Brasileiro de Magistradas reúne 80 participantes em Itapema

Evento inédito reuniu representantes de três estados para discutir os desafios da participação feminina nos espaços de liderança. 

Cerca de 80 magistradas participaram, nos dias 29 e 30 de outubro, em Itapema (SC), do primeiro Congresso Sul-Brasileiro de Magistradas. Promovido conjuntamente pela Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar) e Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), o encontro reuniu palestras e oficinas temáticas com o objetivo de trocar experiências e construir propostas para ampliar a participação feminina nos espaços de decisão. 

Na abertura do evento, a presidente da AMC, Juíza Janiara Maldaner Corbetta, destacou o caráter histórico da iniciativa e o compromisso de transformar as discussões em ações efetivas. Ao recordar a trajetória de magistradas pioneiras, tanto no movimento associativo quanto nos tribunais, ressaltou a importância de reconhecer o legado das mulheres que abriram caminhos e incentivar novas lideranças. 

“Devemos valorizar aquelas que já passaram e também criar novas lideranças, para que outras mulheres queiram ocupar os espaços em que estamos hoje”, afirmou Janiara. 

O presidente da Amapar, Juiz Marcel Ferreira dos Santos, enfatizou o caráter cooperativo do congresso, resultado da convergência entre as três associações sobre a necessidade de aprofundar o debate de gênero na Magistratura. “Estamos plantando uma semente para que este encontro cresça e se transforme em um espaço nacional de discussão sobre a participação das mulheres no Judiciário”, destacou. 

O presidente da Ajuris, juiz Daniel Neves Pereira, chamou a atenção para a desigualdade ainda presente nas próprias entidades representativas da Magistratura. “Na história da Ajuris, tivemos apenas duas mulheres na presidência. Isso já diz muito sobre o que precisamos discutir neste encontro”, observou. Segundo ele, embora existam avanços importantes, ampliar a presença feminina nos espaços de liderança é uma transformação que beneficia toda a sociedade. 

A presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Juíza Vanessa Mateus, também participou da abertura e apresentou dados que evidenciam a dimensão do desafio. Segundo ela, as mulheres ocupam apenas 9% dos cargos de cúpula dos tribunais brasileiros. 

Vanessa destacou que a desigualdade não se explica apenas por barreiras estruturais, mas também por fatores simbólicos, como os estereótipos que associam as mulheres à sensibilidade e à delicadeza, características tradicionalmente vinculadas à esfera privada, em oposição aos atributos de autoridade e poder institucional. 

“Quando a gente ocupa um púlpito e pega o microfone, torna mais concreto para outras mulheres fazerem o mesmo”, afirmou, ressaltando a importância da representatividade feminina na construção de novas referências de liderança. 

Da reflexão à construção de propostas 

A programação do congresso contou com a participação da escritora, professora e advogada Ruth Manus, autora de dez livros e reconhecida por seu trabalho de reflexão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade contemporânea. Sua palestra abordou as relações entre mulheres, poder e os obstáculos muitas vezes invisíveis ao exercício da liderança. 

Um dos destaques do encontro foi a oficina de troca de experiências entre as associações participantes. Durante a atividade, representantes dos três estados apresentaram iniciativas e boas práticas já desenvolvidas em suas entidades para promover a igualdade de gênero e fortalecer a participação feminina na Magistratura. 

A partir dessas experiências, as participantes discutiram propostas e ações práticas que poderão ser implementadas em cada estado, ampliando o alcance das reflexões realizadas durante o congresso. 

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