Cada presidente colocou um tijolo
Uma gestão começa muito antes da posse e não termina quando o mandato acaba
Ao recordar os avanços da AMC, os ex-presidentes revelam uma percepção comum: o trabalho associativo é uma construção coletiva, feita ao longo do tempo.
Projetos atravessam administrações. Relações institucionais são abertas e fortalecidas. Pautas amadurecem até produzir resultados. Cada diretoria recebe aquilo que foi construído anteriormente e acrescenta sua contribuição.
Ricardo José Roesler, presidente da AMC entre 2003 e 2006, resume essa dinâmica com uma imagem simples:
“Cada presidente foi colocando um tijolo, foi fortalecendo cada vez mais. O presidente é a liderança máxima, mas ele depende de vários fatores, de uma Diretoria ativa, atuante e competente.”
Uma construção entre gestões
A própria estrutura física da AMC ajuda a contar essa história.
Há cerca de três décadas, a Associação funcionava em duas pequenas salas no Edifício Alpha Centauri, na Avenida Hercílio Luz, em Florianópolis. Com o crescimento da entidade e de sua atuação institucional, aquele espaço já não correspondia às necessidades da Magistratura.
A construção da atual sede administrativa foi executada durante a gestão de Rodrigo Collaço, presidente da AMC entre 1999 e 2003. Ao recordar o projeto, no entanto, ele faz questão de dividir o resultado com aqueles que vieram antes.
“Nossa sede foi construída pela soma de esforços dos Magistrados. A soma das suas contribuições descontadas da sua remuneração. A soma do ideal dos Juízes em querer ter uma sede própria à altura da nossa importância política. Além das gestões que conseguiram o terreno, como as gestões que mantiveram o dinheiro em caixa. Então, na verdade, a obra não foi construída por uma gestão.”
O tempo da construção
Essa dinâmica vai muito além das estruturas físicas. Direitos, serviços, relações institucionais e pautas de valorização da carreira também precisam de tempo para amadurecer.
Sérgio Luiz Junkes, presidente da AMC entre 2012 e 2015, lembra que, assim como ocorre no processo judicial, a construção de uma pauta associativa envolve diálogo, convencimento e tempo até que um resultado seja alcançado.
“O resultado normalmente não é rápido, como todos os Magistrados gostariam. É um trabalho de longo prazo. Como o processo judicial, o processo legislativo é um processo de convencimento até surgir uma lei, até convencer um Parlamentar acerca da necessidade da preservação de um direito ou do reconhecimento de um direito.”
É um processo que pode ultrapassar o período de uma administração e exigir que outras gestões deem continuidade ao caminho iniciado. “É uma construção, exige todo um processo”, resume Junkes.
César Augusto Abreu, presidente da AMC entre 1995 e 1997, recorre à mesma imagem utilizada por Roesler para definir essa lógica de continuidade:
“Eu penso que cada um de nós, num determinado momento histórico, colocamos um tijolo numa edificação que não termina.”













