Com a aprovação de seu pedido de aposentadoria prevista para a próxima sessão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, no dia 3 de junho, o Juiz Romano José Enzweiler encerra uma trajetória de mais de três décadas dedicadas à Magistratura catarinense, marcada pelo compromisso com a prestação jurisdicional, pela atuação institucional e pela formação de novas gerações de Magistrados.
Empossado na Magistratura em 5 de janeiro de 1993, iniciou sua trajetória como Juiz substituto nas comarcas da Capital, Itajaí e São José. Posteriormente, atuou como titular nas comarcas de Camboriú, São João Batista, São Bento do Sul e Capital, construindo uma carreira pautada pelo comprometimento com a Justiça e pelo fortalecimento das instituições.
Antes de ingressar na Magistratura, exerceu por cerca de nove anos o cargo de auditor fiscal da Receita Estadual. Foi justamente nesse período que amadureceu a decisão de buscar uma nova trajetória profissional.
“No último ano fui convidado para integrar o Conselho de Contribuintes, hoje Tribunal Administrativo Tributário. Ali reacendi o prazer de analisar processos e decidir. Com base nisso, cursei a Esmesc, excelente já naquela época, e me preparei para o concurso”, recorda.
A decisão pela aposentadoria foi construída de forma serena e consciente, como parte natural de um ciclo de vida dedicado ao serviço público.
“Embora sinta incomensurável orgulho da Magistratura e reconheça sua importância para a estabilidade e organização social de qualquer país democrático, sempre soube que se tratava de uma posição temporária. Em que pese ser um cargo vitalício, sempre tive presente minha própria finitude. Aposentar faz parte desse processo, e chego a esse momento repleto de alegria e, principalmente, de queridos e muitos amigos”, afirma.


Ao recordar os momentos mais marcantes da carreira, destaca experiências que ultrapassaram a atividade jurisdicional e contribuíram para sua formação pessoal e profissional.
Entre elas, ressalta a atuação como Juiz assessor nas administrações dos desembargadores Amaral e Silva, Pedro Abreu, Souza Varella e Ricardo Roesler. Também destaca o período em que esteve à frente da Esmesc como diretor-geral e sua atuação como diretor de Capacitação dos Serviços Judiciários.
“Ter sido diretor-geral da Esmesc e diretor de Capacitação dos Serviços Judiciários também moldou meu caráter. Finalmente, a passagem por São Bento do Sul, durante muitos e felizes anos, foi um momento inolvidável na nossa vida, minha e da minha família.”
Sua relação com a AMC também integra essa trajetória. Além de ter exercido a função de diretor-geral da Esmesc, participou do Conselho Fiscal da Associação, sendo o conselheiro mais votado na ocasião. Também colaborou com a gestão do então diretor da AMB, Juiz Rodrigo Collaço, durante o período da primeira reforma da previdência.
Ao refletir sobre a contribuição mútua entre sua vida e a carreira, Romano Enzweiler destaca a intensidade dessa convivência ao longo de 33 anos de Magistratura. “Sempre se tratou de uma troca intensa. Às vezes fica difícil distinguir a pessoa física da pessoa do Juiz. A Magistratura me moldou e, em troca, dediquei integrais 33 anos de vida.”
Aos colegas que permanecem na ativa, deixa uma mensagem de reconhecimento à carreira e ao papel exercido diariamente por cada Magistrado.
“A Magistratura é uma opção de vida, uma carreira maravilhosa, mas nem por isso isenta de problemas, que se faz legitimar e respeitar todos os dias, através de suas decisões. O importante, no final das contas, são os amigos que fazemos ao longo do caminho. Esses ficam para sempre.”
Ao encerrar este ciclo, Romano José Enzweiler deixa uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pela atuação institucional e pela contribuição à formação da Magistratura catarinense, legado construído ao longo de mais de três décadas de serviço ao Poder Judiciário de Santa Catarina.
